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Relatório Casa das Cores 2010
Introdução
O ano de 2010 ficou marcado pela saída de algumas das crianças acolhidas desde 2009, na sequência da definição do projecto de vida que, actualmente, melhor servia as suas necessidades e interesses. Quase de imediato, voltámos a acolher novas crianças, novas histórias de vida, novos desafios…
Em Setembro de 2009 saiu a primeira criança da Casa das Cores e só passado um ano, em Setembro de 2010, recebemos a decisão de que o grupo de 5 irmãos, os primeiros a entrar na Casa das Cores, seria encaminhado para um Lar de Infância e Juventude, com o Projecto de Vida de Acolhimento Prolongado ou Autonomização em Instituição.
Passada uma semana, recebemos também a informação de que outra criança, do sexo masculino, também acolhida em Maio de 2009, seria integrada na família alargada, no agregado da avó materna.
A saída destas 6 crianças aconteceu quase 17 meses depois do seu acolhimento, o que confirma a ideia de que o tempo médio de permanência em Centro de Acolhimento Temporário previsto na Lei (de 6 a 12 meses) está longe de ser cumprido.
De facto, ao longo do ano de 2010 confrontámo-nos com a morosidade dos processos judiciais, com as dificuldades na articulação dos procedimentos em alguns processos e com as diferenças de abordagem na intervenção com as famílias pelas diversas entidades envolvidas.
Por isto mesmo, sentimos a necessidade de reflectir sobre as estratégias a adoptar para fazer face a esses constrangimentos. Para além das reuniões de equipa habituais, e tendo em conta não ser possível actualmente dispor de supervisão externa às equipas, quase todos os elementos da equipa técnica, por sua iniciativa, estiveram integrados em grupos de formação específica, nomeadamente na área das crianças em situação de risco/perigo, acolhimento institucional, mediação familiar, intervenção sistémica e familiar e intervenção com famílias multiproblemáticas pobres.
Em 2010 experienciámos também alguma rotatividade da equipa, principalmente a educativa. No total foram 5 os funcionários que saíram, 3 dos quais por opção própria. Uma situação que cria sempre uma certa instabilidade, não só pela nova adaptação ao contexto e vice-versa, como também pelas dúvidas que surgem às crianças em torno das saídas dos adultos, sentidas muitas vezes como novos abandonos.
À parte das dificuldades, foi um ano intenso, preenchido, de aprendizagem e desafios constantes. Passamos a pormenorizar os seus conteúdos, tendo em consideração os objectivos que nos continuam a orientar no âmbito da nossa intervenção e que estão sistematizados no plano que apresentamos em seguida.
OBJECTIVO GERAL 1.
Acolher crianças em situações de risco ou perigo eminente, proporcionando-lhes um contexto de vida o mais próximo possível da estrutura familiar, garantindo o seu bem-estar e desenvolvimento global e uma adequada inserção familiar e comunitária.
Objectivo Específico 1.1:
Elaborar projectos de vida adequados a cada criança, em articulação com os técnicos e serviços que acompanham a situação familiar, com a participação activa dos menores e famílias, respeitando a sua individualidade e privacidade.
Avaliação Diagnóstica
Até ao final do mês de Setembro de 2010 não houve qualquer saída ou entrada de crianças na Casa das Cores.
Dos Planos de Intervenção Imediata entregues em Dezembro de 2009, nos quais são dadas indicações à Segurança Social sobre o projecto de vida das crianças acolhidas, apenas num dos casos se verificaram alterações na situação pessoal e/ou familiar da criança que justificassem a mudança do projecto de vida proposto inicialmente. No entanto, apesar deste já estar definido na maior parte das situações, ao longo destes 9 meses foram realizadas várias reuniões com as entidades envolvidas nos processos, com as famílias das crianças e foram enviadas diversas informações para tribunal/CPCJ de actualização dos dados relacionados com as crianças e respectivas famílias.
Assim, durante o ano de 2010, foram 6 as crianças que saíram da instituição em consequência da concretização do seu projecto de vida, sendo que a fratria de 5 irmãos foi transferida para um Lar de Infância e Juventude e 1 foi integrado na família alargada. As restantes 6 crianças permaneceram na Casa das Cores, algumas a aguardar decisão judicial relativamente ao projecto de vida delineado, outras ainda em fase de intervenção/avaliação das suas situações pessoais e familiares.
No primeiro caso, a maior dificuldade resultou da necessidade de encontrar uma instituição que pudesse acolher os 5 em conjunto, o que felizmente veio a acontecer durante o mês de Setembro. No segundo caso a integração aconteceu no agregado familiar da avó materna, durante o mês de Outubro.
Entraram quase de imediato 6 novas crianças, uma das quais irmã de uma outra já acolhida na Casa das Cores desde Maio de 2009. Na altura da retirada esta criança tinha cerca de 6 meses, idade não abrangida pela intervenção deste CAT, pelo que foi acolhida na Ajuda de Berço. No entanto, passados quase 17 meses, e tendo em conta a necessidade de rentabilizar os recursos humanos envolvidos neste processo, apresentámos a proposta de acolhimento da menina mais nova, a qual foi aceite pelo Tribunal. Esta criança foi acolhida em Outubro de 2010.
Acolhemos ainda durante esse mês mais uma fratria de 3 crianças (1 menino e 2 meninas), e 2 rapazes. Voltámos a ter a nossa lotação máxima de 12 crianças.
Em todos estes novos casos estamos as explorar as possibilidades de reintegração familiar, tendo em conta a avaliação diagnóstica efectuada, assim como a intervenção iniciada junto destes menores e respectivas famílias.Plano Sócio Educativo Individualizado
Todas as crianças da Casa das Cores se encontram a seguir um plano de acompanhamento individualizado, que pode abranger as seguintes áreas:
- Acompanhamento psicológico individualizado
- Programa de competências pessoais e sociais
- Apoio Escolar
- Apoios Psicopedagógico Individualizados
- Acompanhamento em Consultas médicas de clínica geral e especialidade (Clínica Geral; Estomatologia; Otorrinolaringologia; Dermatologia; Oftalmologia; Neurologia; Pediatria; Pediatria do Desenvolvimento)
Durante o ano de 2010, uma das ajudantes de acção directa iniciou um programa específico de mediação de conflitos, no qual estão integradas todas as crianças acolhidas.
Tendo em conta as dificuldades de ordem logística no acompanhamento de rotinas ao final do dia, durante o ano transacto não foi possível promover a participação de algumas das crianças em actividades de âmbito desportivo, tendo as mesmas decorrido de uma forma informal e pontual.
Plano Cooperado de Intervenção
O Plano Cooperado de Intervenção inclui as parcerias formais e informais estabelecidas com entidades que apoiam a Casa das Cores na concretização dos seus objectivos de intervenção.
As Equipas de Crianças e Jovens (ECJ) e as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) são parceiros fundamentais na execução e acompanhamento da Medida de Protecção aplicada às crianças acolhidas. Durante o ano passado, articulámos os passos da nossa intervenção com as ECJ de Loures (7 crianças), Amadora (5 crianças) e Sintra (2 criança), com a EATTL (2 crianças) e com as CPCJ de Lisboa Norte (2 crianças), Lisboa Oriental (1 criança) e Sintra Ocidental (1). Em alguns casos, os processos foram transferidos das CPCJ para as ECJ/EATTL, daí o número de crianças, no total, estar aumentado, já que é sobreposto.
O Agrupamento de Escolas das Olaias (JI, EB1 Do Bairro do Armador e EB 2,3 das Olaias) e, mais recentemente, o Agrupamento de Escolas Luis António Verney (Escola EB 1 nº 123) e o Centro Infantil de Santos – O – Novo são, actualmente, parceiros fundamentais na intervenção que temos levado a cabo para as crianças que acolhemos. Não só por serem o equipamento escolar que frequentam, mas também por serem parceiros em todas as acções que têm sido implementadas para ajudar algumas crianças a recuperar o seu atraso escolar. Em Outubro de 2010 tivemos a boa notícia da possibilidade de integração da criança com paralisia cerebral no Instituto de Surdos Mudos da Imaculada Conceição (ISMIC), tendo iniciado a sua frequência no mês seguinte (Novembro).
O Centro Diferenças manteve em 2010 as intervenções em contexto escolar na Terapia de Fala e no Ensino Especial e Reabilitação, iniciadas em 2009. Tendo em conta a redução dos apoios da Segurança Social ao nível da intervenção precoce, a partir do ano lectivo 2010/2011 não será possível continuar com a colaboração do Centro Diferenças.
A Clínica Gerações, por seu lado, manteve a sua colaboração com a Casa das Cores, sendo a mesma de extrema importância, dada a dificuldade de marcação de consultas de especialidade nos Hospitais Civis. As crianças foram acompanhadas nas seguintes áreas: Educação Especial, Pediatria do Desenvolvimento, Pediatria, Oftalmologia e Psicologia.
O Centro de Saúde de Marvila, em particular a Extensão do Bairro dos Lóios, continua a ser o recurso na área da saúde. Algumas das crianças mantêm-se em acompanhamento em consultas de especialidade, nomeadamente no Hospital D. Estefânia e Hospital dos Capuchos, sendo o Hospital infantil o recurso para os casos de urgência das crianças que não estão inscritas no centro de saúde.
O Centro de Saúde Mental Infantil e Juvenil - Clínica da Encarnação tem sido um recurso fundamental ao nível da Consulta de Pedopsiquiatria, desempenhando um papel essencial no diagnóstico e intervenção junto das crianças com problemas de saúde mental mais graves.
A relação com a Polícia de Segurança Pública, nomeadamente a 14ª esquadra, continua a ser de grande proximidade. Durante o ano de 2010 foi necessário recorrer à PSP no sentido de nos apoiarem na resolução de algumas situações envolvendo desconhecidos, mas também familiares de crianças acolhidas, não havendo a registar qualquer incidente.
Em períodos de ausência das equipas e das crianças na Casa das Cores, a PSP continua a assegurar-nos uma vigilância mais próxima.
Objectivo Específico 1.2.
Acompanhar as rotinas diárias das crianças, assegurando a satisfação das suas necessidades básicas ao nível da nutrição, higiene, vestuário e saúde.
Refeições
Durante o ano de 2010 foram mantidos os apoios da Lactogal e do Banco Alimentar, tão importantes para a sustentabilidade da Casa das Cores. Para além disso, no período que antecedeu o Natal recebemos vários apoios particulares e de empresas ao nível da alimentação.
As nossas refeições continuam a ser confeccionadas pela cozinheira da Casa das Cores, sendo as ementas supervisionadas pela Directora Técnica.
O acompanhamento das refeições é efectuado pela Equipa Educativa, que aproveita o momento para trabalhar algumas competências com as crianças.
Higiene Pessoal e Imagem
É uma das áreas mais exigentes ao nível do acompanhamento do adulto, já que pela idade e pelas características pessoais de algumas destas crianças, esta é facilmente descurada. No entanto, para as crianças acolhidas há mais tempo é fácil constatar as evoluções e o nível de autonomia que foi alcançado.
Também nesta área recebemos apoios pontuais de algumas empresas e particulares, através de donativos de produtos de limpeza e higiene.
Saúde
Entre Janeiro e Dezembro de 2010, as crianças foram acompanhadas a mais de 100 consultas médicas, das seguintes especialidades: Clínica Geral, Estomatologia, Otorrinolaringologia, Oftalmologia, Pediatria do Desenvolvimento, Pedopsiquiatra, Anestesia, Dermatologia, Neurologia, Fisioterapia, Traumatologia, Pneumologia, Imunodeficiência, Ortopedia, Fisiatria, Pediatria, Cinesoterapia.
O facto de o rapaz que tem paralisia cerebral estar a crescer e necessitar de equipamento específico para melhorar a sua postura e psicomotricidade, despoletou a necessidade de adquirir uma cadeira de rodas.
Depois de uma sensibilização para recolha de apoio junto da comunidade da Capela do Rato, em Dezembro de 2010, fomos contactados por dois particulares que se disponibilizaram para suportar as despesas inerentes à sua aquisição, no valor de 1.500,00 euros.
Duas das crianças acolhidas tiveram prescrição para a utilização de óculos, cujos custos foram totalmente suportados pela Casa das Cores, com o apoio da óptica Alain Afflelou, onde os mesmos foram adquiridos.
Vestuário
A gestão das roupas e arrumação das mesmas continua a ser uma das áreas que exige da parte da equipa educativa e da responsável de lavandaria uma maior atenção.
Os armários continuam a ter que ser constantemente supervisionados, pois frequentemente estão desorganizados. Para facilitar este processo, à semelhança do que já se verificou no ano anterior, foram destacados educadores responsáveis que, frequentemente e em conjunto com a criança, fazem a arrumação e selecção das roupas.
No ano de 2010 voltámos a receber doações consideráveis ao nível da roupa, que suportam em larga medida as necessidades a esse nível. Tendo em consideração que as lacunas entretanto criadas têm que constantemente ser repostas e que cada criança que sai da Casa das Cores, no âmbito da concretização do seu projecto de vida, leva consigo toda a roupa adquirida durante o acolhimento.O Levantar e o Deitar
A fixação dos funcionários por turnos tem-se vindo a revelar de facto a melhor opção em termos de funcionamento, dinâmica de trabalho e previsibilidade para as crianças, principalmente nos momentos do deitar e no levantar.
Desde a entrada das novas crianças, em Outubro de 2010, tivemos que introduzir mudanças nas rotinas matinais, já que 3 das crianças não se encontram a frequentar o estabelecimento de ensino da proximidade do CAT, o que faz com que tenha que existir uma divisão de tarefas bem articulada entre os educadores de cada turno e uma adequada transição de turno.
Até ao momento não temos falhas de relevância a registar. Quando existem consultas em simultâneo, em horas sobrepostas ao inicio do horário escolar, é quase sempre necessário recorrer a mais um elemento da equipa técnica ou educativa para dar resposta a todas as ocorrências.Semanada
Continuou a ser instituída durante o ano de 2010. É frequente, quando são efectuadas saídas aos fins-de-semana e férias, dar alguma liberdade às crianças para que possam fazer uso das suas semanadas, nomeadamente na compra de doces, para ir ao cinema, etc..
Objectivo Específico 1.3.
Assegurar os meios de acesso à escolaridade e/ou formação profissional nos estabelecimentos devidos, acompanhando as tarefas escolares, pedagógicas, culturais e sociais.
Contactos e Reuniões com equipamento escolar
Todas as crianças que são acolhidas na Casa das Cores têm integração directa nos equipamentos escolares do Agrupamento de Escolas das Olaias. No entanto, entre Maio e Junho, das 5 crianças que frequentaram a escola, 3 foram integradas em equipamentos escolares do Agrupamento de Escolas Damião de Góis.
A partir de Setembro, e com a abertura do novo equipamento escolar Jardim de Infância e Escola EB 1 do Bairro do Armador, todas as crianças foram aí integradas, com excepção da criança mais velha, que já está a frequentar a Escola EB 2,3 das Olaias. Actualmente apenas uma criança ainda não está integrada em equipamento escolar, pois tendo paralisia cerebral e requerendo condições especiais de acompanhamento, é uma situação que tem que ser preparada antes do início do ano lectivo. Esta criança foi acolhida na Casa das Cores apenas em Outubro, pelo que continuamos a explorar outras possibilidades de integração em Jardim de Infância na zona geográfica do CAT.
Foram realizadas 11 reuniões de articulação, sendo regulares os contactos informais com as escolas no sentido de acompanhar o percurso das crianças e aferir necessidades e estratégias de intervenção.
Acompanhamento à instituição escolar
Até Outubro de 2010, com excepção da criança com paralisia cerebral, todas as crianças estiveram a frequentar as escolas do Agrupamento de Escolas das Olaias (JI E EB1 do Bairro do Armador e EB 2,3 das Olaias). A partir de Outubro, e principalmente com a entrada de novas crianças, passámos a ter que articular com mais equipamentos de ensino.
Foram realizadas 17 reuniões de articulação com as instituições de ensino, sendo regulares os contactos informais com as escolas no sentido de acompanhar o percurso das crianças e aferir necessidades e estratégias de intervenção.Acompanhamento/apoio escolar
Tal como já referimos anteriormente (PSEI), todas as crianças a frequentar o Ensino Básico têm acompanhamento escolar na instituição, que é efectuado pela equipa educativa no final do dia e durante o fim-de-semana. Apesar de ainda em idade pré-escolar, é habitual as crianças integradas em Jardim de Infância trazerem algumas tarefas para realizar em casa, sendo igualmente apoiada por um educador. Todas as crianças manifestam atraso escolar, que varia entre ligeiro a moderado.
Continua a ser intenção da Casa das Cores recorrer a voluntários que possam apoiar as crianças com mais dificuldades a nível escolar, num momento mais individualizado e que vá ao encontro das necessidades específicas da criança.Objectivo Específico 1.4.
Criar as condições para a ocupação dos tempos livres, de acordo com os interesses e potencialidades das crianças.
Programas de Desenvolvimento Pessoal e Social
Durante o ano de 2010 foram mantidos os programas de competências pessoais e sociais “Cores com muita Pinta” (com crianças a partir dos 8 anos) e “Cresce e Aparece” (com crianças com idades compreendidas entre os 4 e os 6 anos). No conjunto dos dois grupos, foram realizadas 41 sessões ao longo do ano.
Os grupos continuam a ser dinamizados pela psicóloga da Casa das Cores, coadjuvada em cada grupo, por um elemento da Equipa Educativa.
Ainda neste âmbito, uma das educadoras da Equipa Educativa iniciou em Novembro de 2010 um projecto de “Mediação de Conflitos”, o qual designou de “Ouvir e Compreender”. O projecto tem uma sessão mensal, durante um fim-de-semana. No entanto, este projecto é desenvolvido em complementaridade com outras actividades desenvolvidas durante o mês de intervalo, o que contribui para que os resultados alcançados ganhem consistência ao longo do tempo. O grupo de crianças demonstrou envolvimento com as dinâmicas realizadas, sendo evidente a motivação para continuarem a participar neste projecto.
No dia 5 de Janeiro, e por iniciativa da empresa LAPSIS, foi realizada uma sessão de psicodrama com as crianças, no contexto da Casa das Cores.
Actividades lúdicas, pedagógicas, culturais e desportivas
Para além dos momentos informais que procuramos promover de brincadeira e actividades livres dentro e fora do espaço físico da Casa das Cores, as crianças participaram em várias iniciativas que passamos a descrever:
- Hora do Conto, na Biblioteca Municipal de Algés (06 de Janeiro);
- Visita dos Escuteiros à Casa das Cores – Núcleo Oriental de Lisboa do CNE (23 de Janeiro);
- Jogo de Futebol no Estádio da Luz - All Star, a convite da Fundação Luís Figo (25 de Janeiro);
- Visita à 14ª Esquadra da PSP, em Marvila (28 de Janeiro);
- Participação na Exposição de Carnaval, organizada pela Junta de Freguesia de Marvila (10 de Fevereiro);
- Participação em actividade desportiva no Colégio Champagnat, dinamizada por alunos (08 de Março);
- Visita a estúdio de gravação – Gravação de música comemorativa do 1º aniversário da Casa das Cores (10 de Maio);
- Festa Comemorativa do 1º aniversário da Casa das Cores (15 de Maio);
- Visita de Grupo Motard (22 de Maio);
- Festa do Dia da Criança, na Casa das Cores (01 de Junho);
- Actividade de Canoagem, no Jamor (21, 25 e 26 de Junho);
- Praia (dia 05 e 09 de Julho);
- Manhã na Piscina do INATEL de Oeiras (2 vezes por semana em 2ª quinzena de Julho, Agosto e 1ª quinzena de Setembro);
- Fim-de-Semana no Campo – Cartaxo (10 e 11 de Julho);
- Fim-de-Semana em Évora (21 e 22 de Agosto)
- Fim-de-Semana no Campo – Benavente (27 a 29 de Agosto);
- Jardim Zoológico (22 de Setembro);
- Festa de Natal Casa das Cores (16 de Dezembro);
- Lanche Natalício na Casa das Cores (29 de Dezembro).
Frequentes foram as idas ao cinema e a espaços de diversão, sempre do agrado das crianças.
Em contexto escolar as crianças beneficiaram de várias experiências desportivas, nomeadamente: Natação, Judo e Patinagem.
Colónias de Férias
Foram efectuadas 4 colónias de férias pela Casa das Cores, e não 3 como tínhamos inicialmente previsto em Plano de Actividades:
- De 27 de Março a 01 de Abril, na Serra D`Aire e Candeeiros – Organizada pela Casa das Cores em parceria com a Associação PAR. Durante esta colónia as crianças tiveram a oportunidade de conhecer Alcanede, visitar o Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, fazer jogos e brincadeiras na Natureza, serões em volta da lareira com lenha apanhada por eles, entre outras actividades.
- De 17 a 24 de Julho – Organizada pela Paróquia de Sta. Isabel – Grupo MAJUNE;
- De 31 de Julho a 15 de Agosto, em Janas, Sintra - Organizada pela Casa das Cores em parceria com a Associação PAR. Durante esta colónia foram dinamizadas várias iniciativas, nomeadamente idas à praia e piscina, caça ao tesouro; ateliês de máscaras, passeio de eléctrico, hora do conto, visita à Quinta da Regaleira, visita a exposição de cartoons, noite de talentos, visita a Centro Hípico, visita ao Centro de História Natural de Sintra, visita à Feira de S. Mamede, visita ao Palácio da Pena;
- De 18 a 23 de Dezembro, em Benavila, Avis - Organizada pela Casa das Cores em parceria com a Associação PAR. Durante esta colónia foram dinamizadas várias iniciativas, nomeadamente Jogos de ginásio, Visita à Coudelaria de Alter-do-Chão, Interacção com os idosos no lar de idosos de Avis, passeio em Benavila e Avis e jogos ao ar livre.
Com excepção da Colónia organizada pelo Grupo MAJUNE, da Paróquia de Sta. Isabel, a única na qual não foi necessário qualquer trabalho de planificação e organização por parte da Casa das Cores, todas as outras apenas foram possíveis realizar com o apoio de entidades externas, as quais passamos a nomear:
Paróquia de Alcântara, Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (I.P.), Santa Casa da Misericórdia de Alcanede, Fundação Abreu Callado, Santa Casa da Misericórdia de Avis, e Centro de Dia de Avis.
Continuamos a avaliar as colónias de férias como momentos que têm um impacto muito positivo no grupo de crianças, sendo notória a sua alegria e motivação para participarem nas actividades desenvolvidas nesse âmbito.
Duas crianças tiveram ainda oportunidade de participar nas Colónias de Férias da Associação CAMTIL, que decorreram de 19 a 28 de Agosto.
Objectivo Específico 1.5.
Providenciar a reabilitação Física e/ou Psicológica das crianças vítimas de qualquer forma de mau-trato.
1. Encaminhamento e acompanhamento a consultas de Especialidade (pedopsiquiatria, psicoterapia, psicomotricidade, fisioterapia, etc.)
No final do ano de 2010 (Novembro), a criança do sexo masculino com paralisia cerebral, acolhida em Outubro de 2009, foi finalmente enquadrada num contexto educativo, no Instituto de Surdos-Mudos da Imaculada Conceição (ISMIC). A integração nesta instituição teve ainda como vantagem o facto de desenvolver um trabalho especializado dirigido a crianças com necessidades especiais, tendo sido possível desta forma reforçar a intervenção de reabilitação de que esta criança já era alvo. De uma manhã semanal de terapia alimentar e fisioterapia, levada a cabo pelo Centro de Paralisia Cerebral da Fundação Calouste Gulbenkian, esta criança passou a usufruir de uma intervenção diária no instituto, no qual está integrado de 2ª a 6ª feira, das 10h às 17.30h.
São evidentes as evoluções verificadas desde a integração da referida criança no ISMIC, sendo de sublinhar todo o empenho da sua equipa na concretização dos objectivos propostos para a reabilitação das crianças aí enquadradas.
À parte todo o acompanhamento que esta criança tem em consultas e intervenções de especialidade, durante o ano de 2010 foi solicitada ao ginásio Equinow a utilização gratuita da piscina, para que fosse desenvolvido um projecto de psicomotricidade em meio aquático com esta criança. A implementação deste projecto foi da iniciativa de uma das funcionárias da Casa das Cores, licenciada em Reabilitação Psicomotora.
Para além do já referido em termos de acompanhamento externo na área da saúde, mantivemos a intervenção de âmbito psicológico realizada pela psicóloga da Casa das Cores a algumas das crianças da casa, totalizando 187 sessões de acompanhamento. As crianças que não foram acompanhadas pela psicóloga na Casa das Cores, foram encaminhadas para serviços externos: 2 crianças em consulta de Psicologia, com a Dra. Ana Partidário, na Clínica Gerações, e duas crianças em consulta de Pedopsiquiatria, uma na Clínica da Encarnação, do Serviço de Pedopsiquiatria do Hospital D. Estefânia e uma no Departamento de Pedopsiquiatria do Hospital S. Francisco Xavier, onde é também acompanhada em Psicologia com a Dra. Custódia Ribeiro.
Duas das crianças acolhidas foram ainda alvo de intervenção por uma técnica de Ensino especial, Dra. Sandra Nunes da Clínica Gerações, dada a severidade das suas dificuldades de aprendizagem.
Durante o ano de 2010, e em articulação com as escolas, 5 crianças foram integradas em Planos Educativos Individualizados, de modo a trabalhar as suas dificuldades a nível escolar.
2. Famílias Amigas
Mantivemos a nossa abordagem de intervenção recorrendo ao apoio de famílias amigas, tendo reforçado o nosso leque de famílias para 5 (4 casais e uma pessoa individualmente). A avaliação que fazemos deste trabalho não poderia ser mais positiva, uma vez que o tempo passado com as famílias amigas causa grande satisfação e bem-estar nas crianças. Foram abrangidos por este programa 5 crianças.Objectivo Específico 1.6.
Possibilitar o contacto com a família de origem, sempre que isso seja possível, com vista à manutenção ou reestruturação dos laços e à reintegração de cada criança.
Todas as crianças acolhidas mantêm contacto com as famílias de origem, que seguem um plano de visitas previamente acordado com cada uma, tendo em conta cada situação específica.
Em alguns casos começou a ser possível que algumas das crianças acolhidas pudesse passar momentos com as respectivas famílias fora da instituição, não só para passear, como para pernoitar.
OBJECTIVO GERAL 2.
Intervir junto das famílias com vista à sua reestruturação e reorganização, para a melhoria no desempenho das suas funções parentais.
Objectivo Específico 2.1: Desenvolver trabalho de mediação e reestruturação dos laços familiares;
Objectivo Específico 2.2: Capacitar as famílias, para uma maior eficácia no desempenho das suas funções parentais;
Objectivo Específico 2.3: Acompanhar as situações familiares que necessitem de intervenção específica, dando a conhecer os recursos existentes ou encaminhando para instituições de reabilitação adequadas a cada problemática;
Os 5 irmãos que foram transferidas para um Lar de Infância e Juventude, mantiveram contacto com a família, inclusive em períodos de fins-de-semana e férias, durante o tempo que permaneceram na Casa das Cores. No entanto, e apesar de avaliarmos estes contactos como positivos, não foi possível a sua integração familiar por motivos financeiros. Surgiu ainda a possibilidade de as crianças não poderem ser acolhidas conjuntamente, dada a heterogeneidade do grupo em termos de idade e género, situação que nos preocupou pela ligação afectiva positiva e de protecção que estas crianças tinham entre si e que poderia ser afectada pela sua separação. Face a esta hipótese, ainda foi proposto à família poder acolher apenas parte da fratria, solução esta considerada como a última, caso não fosse possível o seu acolhimento conjunto.
As diferentes possibilidades foram também apresentadas às crianças, envolvidas no processo, sendo evidente principalmente nos mais velhos, a angústia em torno desta situação.
Quase em seguida tivemos a resposta da reintegração de mais uma criança no seu contexto familiar, neste caso na família alargada, também ao fim de quase 17 meses de acolhimento.
Portanto, em pouco menos de uma semana, metade da lotação da casa das cores ficou vaga, tendo quase de imediato ficado também novamente ocupada.
As 3 primeiras crianças, acolhidas no dia 6 de Outubro, são de nacionalidade russa, estando a causa do acolhimento associada a negligência parental. Em seguida recebemos um rapaz de nacionalidade brasileira, devido a problemas de comportamento graves. O 5º acolhimento foi de uma menina que até então estava acolhida na Ajuda de Berço. Esta criança foi transferida por se considerar tal útil e pertinente para a definição do projecto de vida das duas crianças. Por fim, entrou um rapaz, devido a internamento da mãe, em tratamento de desintoxicação.
Entretanto, permanecem acolhidas na Casa das Cores 5 das 12 crianças que para aqui vieram encaminhadas aquando da abertura da casa, em Maio de 2009. No final de 2010 estas crianças completaram 19 meses de institucionalização na Casa das Cores, sendo que em 4 das situações o projecto de vida está definido desde o final do ano de 2009.
Ao longo do ano de 2010, no âmbito da definição e concretização dos projectos de vida das crianças acolhidas foram realizadas as seguintes diligências:- Visitas Domiciliárias: 13
Em comparação com o ano anterior, este número foi inferior, uma vez que grande parte das situações acompanhadas se encontravam-se em fase de pós-diagnóstico, não se verificando a necessidade de realizar novas visitas. Com a entrada das novas crianças durante o mês de Outubro as visitas domiciliárias foram retomadas, sendo uma das actividades principais para obtermos um conhecimento mais aprofundado das situações e para a realização do diagnóstico social.
- Reuniões com Familiares: 33
A justificação para a diminuição das reuniões formais com familiares das crianças acolhidas é a mesma que para a actividade anterior. Neste âmbito apenas contamos as reuniões marcadas, embora existam momentos de contacto com os técnicos sempre que as famílias visitam as crianças. Para além das reuniões formais, foram ainda efectuados vários contactos telefónicos (159).
- Supervisão de Visitas: 251
As visitas constituem um momento importante de avaliação das relações familiares. Estas são muito valorizadas na elaboração do diagnóstico e consequentemente fundamentais para a definição do projecto de vida. Como tal, quase todas as visitas realizadas por familiares são monitorizadas ou têm em permanência um técnico na sala de visita.
- Reuniões com entidades externas: 34
Foram mantidos contactos próximos com as entidades responsáveis pelo acompanhamento das medidas ou outras envolvidas nos processos das crianças:
- Equipas de Crianças e Jovens de Sintra, Loures e Amadora;
- Equipa Apoio Técnico ao Tribunal de Lisboa;
- Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Perigo de Lisboa Norte, Lisboa Oriental, Sintra Oriental e Loures;
- Equipa de Ajudas Técnicas da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa;
- Equipa de Adopções da SCML;
- Associação Passo-a-Passo;
- Movimento em Defesa da Vida;
- Instituto de Surdos Mudos da Imaculada Conceição;
- Centro de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian;
- Casa Pia de Lisboa;
- Centro de Acolhimento de Emergência “Casa da Fonte”;
- Ajuda de Berço;
- Serviço de Pedopsiquiatria do Hospital São Francisco Xavier;
- Agrupamento de Escolas das Olaias;
- Clínica Gerações;
- Centro de Desenvolvimento Infantil “Diferenças”.
Para além destes momentos formais de articulação da intervenção, são frequentes os contactos telefónicos com as entidades referidas, tendo sido realizados 142.
- Informações Sociais: 27
Algumas das quais efectuadas no sentido de tentar pressionar as entidades competentes na tomada de decisões e na revisão de medidas.
- Convocatórias para tribunal: 3
Das 3 vezes em que fomos convocados para comparecer em tribunal, apenas numa delas a criança foi ouvida.
Face ao referido, relativamente a estas duas últimas diligências, depreende-se que continuamos a verificar dificuldades no acompanhamento das medidas aplicadas, principalmente pela morosidade do sistema judicial e pela dificuldade no contacto com algumas das entidades envolvidas nos processos das crianças.
Outros acontecimentos a realçar
Tal como referido na Introdução, ao longo do ano de 2010 cinco funcionários da Casa das Cores saíram da Equipa, tendo 3 sido por opção.
Foram mantidas as reuniões de equipa educativa, as quais ocorreram em ritmo quinzenal.
A Equipa Técnica reuniu quase sempre semanalmente para discutir os casos das crianças, tendo em conta o projecto de vida a definir ou já definido, assim como para tratar de outros assuntos relacionados com o Plano de Actividades da Casa das Cores.
Também em 2010, tiveram inicio as reuniões de acompanhamento por parte da Segurança Social, com as Dra. Rita Militão e Dra. Maria João Faria.
Conclusão
Podemos afirmar que me 2010 a Casa das Cores cumpriu em pleno os seus objectivos, dentro daquilo que lhe compete. Apesar da rotatividade de alguns colaboradores da equipa educativa, o ambiente da casa manteve-se familiar e afectuoso, propício ao bem-estar e desenvolvimento das crianças que acolhemos.
O sucesso deve-se acima de tudo ao profissionalismo e dedicação das várias equipas que trabalham na casa, assim como à boa articulação com a direcção do MSV – Movimento ao Serviço da Vida. O bom ambiente, o espírito positivo e a capacidade de lutar por aquilo que é o melhor para estas crianças foram os grandes instrumentos do sucesso.
No entanto, este ano esteve longe de ser fácil, isento de obstáculos.
Ao longo do ano de 2010 sentimos com mais efeito a morosidade do sistema judicial e o facto de em média, as crianças acolhidas em CAT permaneceram por períodos superiores a 12 meses, sendo que, em 5 dos casos, o acolhimento já dura há mais de 19 meses.
Neste sentido, sentimos que é premente continuar a reflectir sobre a problemática das crianças e jovens em risco, apostar na formação das equipas que acompanham as famílias em situação de vulnerabilidade social e criar novas respostas de intervenção, mais especializadas e adaptadas às actuais realidades sociais.
Apesar de durante este último ano termos apresentado propostas à Segurança Social para o alargamento da nossa intervenção, não só enquanto CAT, acolhendo mais 2 crianças, mas também criando uma nova valência, Centro de Acompanhamento Familiar e Aconselhamento Parental (CAFAP), as mesmas foram negadas, não havendo previsão de quando possam ser implementadas por causa das restrições orçamentais.
Continuamos a sentir lacunas na intervenção comunitária e de proximidade junto das famílias, efectuada por entidades locais, nas quais reconhecemos potencialidades a nível parental, mas cuja tendência para a desorganização é elevada, sem uma monitorização próxima dos seus passos. Ao longo do nosso trabalho temos vindo a constatar que a abordagem de muitas equipas na área das famílias multidesafiadas continua a ser centrada nos seus problemas e fragilidades e pouco nas soluções e competências.
Felizmente têm emergido as formações e workshops dirigidos às equipas propondo uma alteração dos paradigmas, nas quais participaram alguns elementos da equipa técnica da Casa das Cores. Nessa sequência fizemos um convite a uma especialista e investigadora na área das famílias multiproblemáticas/multidesafiadas para reunir com a equipa técnica da casa das cores para nos ajudar a estruturar melhor a nossa intervenção e a reflectir sobre a nossa prática, a ter início já no início do ano de 2011.
Sentimos que a equipa actual procura constantemente actualizar-se e fazer frente a novas situações, criando condições para a sua progressão em termos de aprendizagem profissional, pois é seu desejo inovar no âmbito do acolhimento institucional e aplicar um modelo de intervenção baseado no paradigma sistémico.
Relatório Casa das Cores 2009
Primeiro mês da Casa das Cores...
Integração da Equipa e Acolhimento das CriançasNa 2ª feira, dia 04 de Maio, a Casa das Cores entrou em funcionamento. De acordo com o previsto inicialmente no Plano de Actividades, considerámos pertinente que durante a primeira semana fossem desenvolvidas essencialmente acções destinadas a promover o estabelecimento de relação entre todos os funcionários, familiarizar os menos experientes com a intervenção desenvolvida em Centro de Acolhimento Temporário, através do desenvolvimento de uma formação interna, assim como preparar a casa para o acolhimento dos primeiros residentes.
No dia 11 de Maio deram entrada as primeiras crianças, uma fratria de 5 irmãos (3 meninas e dois meninos), em que o mais velho tinha na altura 13 anos e o mais novo 4. Vêm acompanhados de técnicos da Casa da Luz, um Centro de Acolhimento de Emergência.
Na 4ª feira, dia 13 de Maio, entram mais duas crianças (2 meninos), um deles encaminhado pela Casa da Fonte e o outro vindo directamente de casa.
Dia 22 de Maio, são acolhidos na Casa das Cores mais dois irmãos, uma menina e um menino.
Dia 25 entra a criança mais nova, uma menina de 3 anos e dia 28 uma fratria de duas irmãs.
Até ao dia 25 de Setembro, estas foram as 12 crianças que habitaram a Casa das Cores. Nesse dia, saiu um dos meninos, reintegrado no seu contexto familiar, dando lugar a uma criança do sexo masculino, de quase 3 anos, que entraria a 20 de Outubro acompanhado pela técnica da Casa da Fonte, onde se encontrava anteriormente acolhido.
OBJECTIVO GERAL 1.
Acolher crianças em situações de risco ou perigo eminente, proporcionando-lhes um contexto de vida o mais próximo possível da estrutura familiar, garantindo o seu bem-estar e desenvolvimento global e uma adequada inserção familiar e comunitária.
Objectivo Específico 1.1:
Elaborar projectos de vida adequados a cada criança, em articulação com os técnicos e serviços que acompanham a situação familiar, com a participação activa dos menores e famílias, respeitando a sua individualidade e privacidade.
Avaliação Diagnóstica
A avaliação diagnóstica inicia quando a criança dá entrada na Casa e é efectuada tendo por base a informação que acompanha o processo, mas principalmente o conhecimento que os técnicos vão adquirindo no estudo que efectuam da situação pessoal, social e familiar da criança.
Apesar de na grande parte das situações ter sido possível ao fim de um mês efectuar uma avaliação diagnóstica da situação de todas as crianças, como está previsto nas orientações da Segurança Social, ao longo do tempo foram surgindo para algumas crianças novos dados que contribuíram para a alteração do projecto de vida inicialmente proposto.
Por isso, até ao final do ano apenas foi possível a reintegração familiar de uma das crianças acolhidas. Para as restantes, apenas prevemos que uma ainda seja reintegrada na família de origem, estando a ser exploradas outras alternativas de projecto de vida para as restantes (Família alargada, institucionalização com vista à autonomia de vida ou adopção).
Plano Sócio Educativo Individualizado
O Plano Sócio Educativo Individualizado é efectuado a partir da avaliação diagnóstica inicial e compreende as acções que foram desenvolvidas para cada criança, tendo em conta as áreas mais fortes e frágeis do seu desenvolvimento. Através deste plano pretende-se recuperar/reabilitar áreas do desenvolvimento que foram afectadas pelo contexto de privação em que as crianças estiveram integradas, assim como potenciar/reforçar os recursos/competências que possuem.
No plano sócio educativo individualizado foram integradas acções como:
- Acompanhamento psicológico individualizado
- Programa de competências pessoais e sociais
- Apoio Escolar
- Apoios Psicopedagógico Individualizados
- Acompanhamento em Consultas médicas de clínica geral e especialidade (Clínica Geral; Estomatologia; Otorrinolaringologia; Dermatologia; Oftalmologia; Neurologia; Pediatria; Pediatria do Desenvolvimento)
- Clínica Geral: 22 consultas
- Estomatologia: 25 consultas
- Otorrinolaringologia: 3 consultas
- Cirurgia: 5 consultas
- Desenvolvimento: 5 consultas
- Pedopsiquiatra: 2 consultas
- Electrocardiograma: 1 exame
- Radiografia: 1 exame
- Ortopantomografia: 10 exames
- Fisioterapia: 6 sessões
- Anestesia: 1
- Dermatologia: 3
- Neurologia: 1
- Festa do Leite, organizada pela Lactogal (27 de Maio);
- Dia da Criança no Parque da Bela Vista (01 de Dezembro);
- Parque Aventura, Amadora (10 de Junho);
- ida à praia (26 de Junho);
- Atelier de Poils (01 de Julho);
- ida à praia (02 de Julho);
- Oficina “O lugar do Tempo”, na Fundição de Oeiras (05 de Julho);
- ida à praia (10 de Julho);
- Oficina “ Dá cor ao Mundo”, na Fundição de Oeiras (12 de Julho);
- Oficina de consciência corporal, na Fundição de Oeiras ( 19 de Julho);
- ida à praia (21 de Julho);
- Badoca Park (22 de Julho);
- ida à praia (23 e 24 de Julho);
- Oficina “Reciclar é uma arte”, na Fundição de Oeiras (25 de Julho);
- Oficina de Artes Plásticas, na Fundição de Oeiras (26 de Julho);
- ida à praia (27 e 28 de Julho);
- Fim-de-semana em Évora (24 e 25 de Outubro);
- Aula de Ténis (dia 14 de Novembro)
- Montagem da Árvore de Natal Disney (26 de Novembro);
- Kidzânia (1 de Dezembro);
- Circo pela Fundação Luís Figo (07 de Dezembro);
- Visita Club Motard à Casa das Cores (12 de Dezembro);
- Festa de Natal da Casa das Cores (15 de Dezembro);
- Festa de Natal da Disney (16 de Dezembro).
- Condições habitacionais precárias;
- Risco de despejo por ocupação ilegal de habitação camarária;
- Higiene deficitária da habitação e das crianças;
- Frágil acompanhamento do percurso de vida das crianças;
- Elevado absentismo escolar;
- Alcoolismo;
- Exposição a modelos comportamentais desadequados e de risco;
- Suspeita de abuso sexual;
- Conflito familiar;
- Violência Doméstica.
- Lentidão da instância judicial nas decisões relacionadas com os processos, nomeadamente definição do projecto de vida;
- Decisões da instância judicial, sem ter em consideração o parecer da equipa técnica;
- Dificuldade no contacto com algumas das CPCJ e ECJ que acompanham as situações das crianças;
- Burocratização dos processos, ao nível da transferência de autoridade para as entidades de novas zonas de residência das famílias, quando há mudanças.
Até ao final do ano não foi possível integrar qualquer criança em actividades de cariz desportivo, situação que prevemos alterar durante o corrente ano.
Plano Cooperado de Intervenção
O Plano Cooperado de Intervenção inclui as parcerias formais e informais estabelecidas com entidades que apoiam a Casa das Cores na concretização dos seus objectivos de intervenção.
As Equipas de Crianças e Jovens (ECJ) e as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) são parceiros fundamentais na execução da Medida de Protecção aplicada às crianças acolhidas. Até ao momento, temos articulado todos os passos da nossa intervenção com as ECJ de Loures (7 crianças), Amadora (2 crianças) e Sintra (1 criança) e com as CPCJ de Lisboa Norte (2 crianças) e Loures (1 criança).
O Agrupamento de Escolas Damião de Góis, inicialmente, e o Agrupamento de Escolas das Olaias actualmente, são parceiros fundamentais na intervenção que temos levado a cabo para as crianças que acolhemos. Não só como equipamento escolar que frequentam, mas também por todas as acções que começam a ser implementadas para ajudar algumas crianças a recuperar o seu atraso escolar.
Todas as crianças que frequentam o Ensino Básico (9, sendo que uma já reintegrou o seu agregado familiar) apresentam atraso escolar de 1 a 4 anos. Como tal, procuramos em conjunto com a escola acompanhar de perto o percurso das crianças, identificando objectivamente as suas dificuldades e definindo as estratégias mais adequadas para as colmatar.
Com o Centro Diferenças foi estabelecido um contacto para colaboração, tendo sido possível a avaliação em consulta de Desenvolvimento para três das crianças (com menos de 6 anos) e, nessa sequência, duas das crianças iniciaram intervenção em contexto escolar em Terapia de Fala e uma criança uma intervenção em Ensino Especial e Reabilitação.
Foi estabelecido um protocolo de colaboração com a Clínica Gerações, o qual já teve início com o encaminhamento para consultas de Educação Especial (1 criança), pediatria do desenvolvimento (1 criança) e psicoterapia (1 criança), estando a aguardar confirmação para que mais duas crianças sejam acompanhadas em psicologia.
O Centro de Saúde de Marvila, em particular a extensão do Bairro dos Lóios, é por excelência o recurso na área da saúde. Quando são acolhidas, todas as crianças são avaliadas em consulta de clínica geral e, nesse seguimento, estabelecido o plano de acompanhamento, caso seja necessário. Portanto, todas as 13 crianças que já acolhemos foram inscritas e observadas na Unidade de Saúde Familiar do Bairro dos Lóios. Algumas das crianças foram encaminhadas para consultas de especialidade, nomeadamente no Hospital D. Estefânia.
A Polícia de Segurança Pública foi contactada pela Casa das Cores ainda durante o mês de Maio, para que tivessem conhecimento do início da nossa actividade e do âmbito da nossa intervenção. O Sub-comissário visitou a Casa das Cores e desde logo manifestou toda a disponibilidade da PSP para colaborar com a Casa das Cores sempre que se considerasse pertinente. Surgiram posteriormente algumas propostas de actividades, nomeadamente a visita das crianças à esquadra e a participação da Casa das Cores numa exposição alusiva ao Carnaval.
Em períodos de ausência das equipas e das crianças na Casa das Cores, a PSP deu-nos a garantia do reforço da vigilância.
Preparação da Saída
Até ao final do ano, apenas foi possível concretizar o Projecto de Vida de uma criança acolhida, que reintegrou o agregado familiar original.
Relativamente às restantes crianças, continuamos a realizar o estudo da situação conjuntamente com as entidades responsáveis pela execução da Medida aplicada.
Objectivo Específico 1.2.
Acompanhar as rotinas diárias das crianças, assegurando a satisfação das suas necessidades básicas ao nível da nutrição, higiene, vestuário e saúde.
Refeições
As refeições são semanalmente planeadas pela Cozinheira da Casa das Cores, com a supervisão da Directora Técnica. Até ao momento, o balanço em termos de qualidade é muito positivo, sendo as refeições apreciadas pela generalidade dos consumidores, crianças e funcionários.
Durante a semana, a Cozinheira efectua não só as refeições da semana, como prepara as refeições de fim-de-semana, que deixa devidamente acondicionadas nos equipamentos de conservação (frigorífico e congelador).
Desde a abertura da Casa das Cores temos o apoio quinzenal da empresa Lactogal, que fornece todos os produtos lácteos solicitados. Para além deste apoio a nível alimentar, a partir de Setembro começámos a usufruir dos cabazes semanais e mensais do Banco Alimentar. Nessa sequência, e uma vez que estávamos a receber uma quantidade superior à nossa capacidade de armazenamento de produtos frescos, apresentamos à direcção do MSV a necessidade de aquisição de um novo equipamento de congelação, o qual nos foi ofertado pela comunidade da Capela do Rato durante o período do Natal.
Até Dezembro recebemos também a colaboração da Auchan, com vários donativos em compras nos seus supermercados.
O acompanhamento das refeições é sempre efectuado por educadores da Equipa Educativa. De forma a aproximar o momento da refeição à vivência em contexto familiar, as refeições são realizadas em conjunto, e as crianças apoiam igualmente nas rotinas pré e pós refeições (colocar e limpar a mesa, colocar a loiça na máquina, arrumar loiça, etc.).
Em período lectivo, para a maioria das crianças (10), apenas o pequeno-almoço e o jantar são efectuados na Casa das Cores. O almoço é efectuado no refeitório da escola.
Higiene Pessoal e Imagem
A higiene pessoal e a imagem das crianças são uma preocupação constante, pelo que os educadores procuram acompanhar de perto as necessidades e prontamente dar resposta.
Muitas destas crianças trazem rotinas de higiene deficitárias, pelo que tem sido efectuado um trabalho pela equipa educativa de transmissão de bons hábitos e de explicação das vantagens da sua manutenção ao longo da vida.
A Pediculose é um problema que surge geralmente associado a essa higiene deficitária e não foi surpresa para as equipas da Casa verificar que quase todas as crianças precisavam de uma intervenção de fundo a esse nível. Intervenção que passou não só pelo tratamento químico, mas também pelo corte do cabelo. Preventivamente, a Casa das Cores efectua regulamente o tratamento, já que também na escola são frequentemente identificados casos de “piolhos”.
A higiene oral é também uma das áreas trabalhadas, sendo poucas as crianças que traziam rotinas a esse nível. A consulta que todas as crianças efectuaram em estomatologia tem-nos dado também a noção desse descuido, com algumas patologias identificadas a necessitar de uma intervenção especializada.
Ao longo do tempo vamos observando uma cada vez maior autonomia e atenção das crianças na realização da sua higiene pessoal, requerendo apenas os mais pequenos de uma supervisão na hora do banho.
Todas as crianças são integradas nas acções de manutenção e conservação dos espaços onde são efectuadas as rotinas da higiene pessoal, sendo sempre auxiliadas pelos educadores, auxiliar de limpeza e lavandaria, que identificam as necessidades e repõem os produtos necessários. As limpezas e arrumações mais profundas são efectuadas pela responsável pela limpeza.
Saúde
Assim que as crianças são acolhidas na Casa das Cores é efectuada uma marcação de consulta médica na Unidade de Saúde Familiar do Bairro dos Lóios, Centro de Saúde de Marvila, de modo a ser efectuado um diagnóstico pelo médico. Nessa sequência, o profissional decide sobre eventuais encaminhamentos. Em algumas situações, as crianças já eram acompanhadas previamente ao atendimento por alguns serviços especializados, tendo sido mantida essa intervenção.
Entre Maio e Dezembro, as crianças foram acompanhadas nas seguintes consultas e exames médicos:
Toda a medicação é registada em formulário próprio e acompanhada pelos educadores da equipa educativa.
Neste âmbito desenvolvemos ainda o Plano de Contingência para a Gripe A, a partir do qual elaborámos um manual de procedimentos de prevenção e de tratamento e realizámos uma formação para as equipas da Casa da Cores e para as crianças.
Vestuário
A gestão do vestuário é feita pelos Educadores encarregados de Educação, em conjunto com os educadores da Equipa Educativa e a funcionária responsável pela lavandaria.
Também a este nível foi necessário efectuar algum trabalho de organização com as crianças, que revelaram poucas rotinas ao nível da arrumação e conservação da roupa. Os armários têm que ser constantemente supervisionados, pois frequentemente estão desorganizados e é encontrada roupa suja juntamente com roupa lavada, um pouco à semelhança do que por vezes encontramos nas suas habitações de origem. Mas também porque algumas destas crianças são realmente muito jovens e precisam de ser apoiadas a esse nível.
Grande parte da roupa das crianças é doada através de particulares, sendo seleccionada para cada criança tendo em conta a sua idade, mas principalmente o seu gosto pessoal, sendo uma escolha conjunta. Vestuário como sapatos, roupa interior, fatos de banho tiveram que ser adquiridos pela Casa das Cores.
Toda a reparação da roupa, que seja pertinente efectuar, é feita no exterior por uma costureira, que presta o serviço gratuitamente.
Levantares e deitares
São considerados momentos privilegiados de contacto com as crianças, sendo inteiramente da responsabilidade dos educadores o seu controlo.
Estudou-se com a equipa educativa qual o horário mais adequado a implementar, de modo não só a promover o melhor bem-estar das crianças, mas também para conciliar os horários escolares (em período lectivo) e os horários dos turnos da equipa educativa. Fixou-se então o horário de levantar às 7.30h para as crianças que têm que estar na escola às 9h, sendo que os educadores do turno que efectua a madrugada (00.30h-08.30h) está responsável por acordar e supervisionar a higiene matinal, o vestuário, assim como o pequeno-almoço e o educador do turno da manhã (08.30h-16.30h), encaminha as crianças até à escola.
O deitar, tem-se revelado a fase do dia mais sensível para algumas crianças, principalmente as mais novas, o que exige dos educadores do turno da tarde (16.30h-00.30h) um maior acompanhamento de proximidade e suporte afectivo. É neste momento que mais frequentemente as crianças solicitam a presença do adulto, chorando frequentemente com saudades das figuras parentais.
O controlo da incidência de “enurese nocturna” nas crianças é também uma das rotinas do turno da madrugada, tendo sido possível verificar que algumas crianças foram ao longo do período de acolhimento melhorando a esse nível, revelador de uma maior estabilidade emocional. A importância do controlo da enurese está no facto de ser muitas vezes influenciada por factores emocionais, pelo que a alteração desse comportamento poderá ajudar no enquadramento do seu estado emocional antes e após a situação de acolhimento.
Mesada
Começou a ser instituída apenas a partir do mês de Outubro, tendo sido fixado um valor para cada criança, tendo em conta a sua idade e maturidade. Esse valor pode ser alvo de bónus ou penalização, tendo por base o comportamento das crianças.
Objectivo Específico 1.3.
Assegurar os meios de acesso à escolaridade e/ou formação profissional nos estabelecimentos devidos, acompanhando as tarefas escolares, pedagógicas, culturais e sociais;
Contactos e Reuniões com equipamento escolar
Todas as crianças que são acolhidas na Casa das Cores têm integração directa nos equipamentos escolares do Agrupamento de Escolas das Olaias. No entanto, entre Maio e Junho, das 5 crianças que frequentaram a escola, 3 foram integradas em equipamentos escolares do Agrupamento de Escolas Damião de Góis.
A partir de Setembro, e com a abertura do novo equipamento escolar Jardim de Infância e Escola EB 1 do Bairro do Armador, todas as crianças foram aí integradas, com excepção da criança mais velha, que já está a frequentar a Escola EB 2,3 das Olaias. Actualmente apenas uma criança ainda não está integrada em equipamento escolar, pois tendo paralisia cerebral e requerendo condições especiais de acompanhamento, é uma situação que tem que ser preparada antes do início do ano lectivo. Esta criança foi acolhida na Casa das Cores apenas em Outubro, pelo que continuamos a explorar outras possibilidades de integração em Jardim de Infância na zona geográfica do CAT.
Foram realizadas 11 reuniões de articulação, sendo regulares os contactos informais com as escolas no sentido de acompanhar o percurso das crianças e aferir necessidades e estratégias de intervenção.
Acompanhamento à instituição escolar
Tendo em conta a idade das crianças, a maturidade e a localização geográfica do CAT, consideramos pertinente que as crianças se desloquem para a escola acompanhados por um adulto e que a saída também se faça dessa forma.
Para as crianças a frequentar o Jardim de Infância e Escola EB1 do Bairro do Armador, a hora de entrada é às 9h, sendo sempre acompanhadas pelo educador da Equipa Educativa do turno da manhã (08.30h-16.30h). A hora de saída é às 17.30h, depois das actividades de enriquecimento curricular, nas quais todas as crianças estão integradas. É aos educadores do turno das 16.30h às 00.30h que cabe a responsabilidade de ir buscar as crianças à escola.
A criança que frequenta a Escola EB 2,3 das Olaias tem um horário mais variável, mas à semelhança das restantes crianças, é sempre acompanhada por um adulto no caminho para a escola.
Acompanhamento/apoio escolar
Tal como já referimos anteriormente, todas as crianças que estão a frequentar o Ensino Básico têm acompanhamento escolar na instituição, que é efectuado pelos educadores da equipa educativa no final do dia e durante o fim-de-semana (7 crianças abrangidas). Todas as crianças manifestam atraso escolar, havendo alguns que necessitam de acompanhamento psicopedagógico individualizado, que está a ser efectuado na escola e, em alguns casos, no exterior (Clínica Gerações), dada a severidade do atraso. São 5 as crianças com apoio psicopedagógico individualizado em contexto escolar.
As três crianças que frequentam o Jardim de Infância também estão a ser alvo de uma intervenção especializada, dois em terapia de fala e um em ensino especial e reabilitação, de forma a estimular áreas de competência necessárias a uma adaptação escolar futura adequada. Esta intervenção é desenvolvida através da parceria estabelecida com o Centro Diferenças, que faz deslocar os técnicos ao Jardim de Infância.
Objectivo Específico 1.4.
Criar as condições para a ocupação dos tempos livres, de acordo com os interesses e potencialidades das crianças;
Programas de Desenvolvimento Pessoal e Social
A psicóloga da Instituição, em conjunto com a Coordenadora da Equipa Educativa, estão responsáveis pela planificação, implementação e avaliação dos programas de competências pessoais e sociais “Cores com muita Pinta” (crianças dos 8 aos 11 anos) e “Cresce e Aparece” (dos 3 aos 7 anos).
Entre Maio e Dezembro foram realizadas 39 sessões dos programas, tendo sido abordados temas como: os Direitos das Crianças, o Espaço Interpessoal, as Emoções, a Institucionalização e a Família.
A metodologia de trabalho tem sido a participativa, recorrendo às dinâmicas de grupo, jogos, desenhos, expressão corporal para uma melhor adesão do grupo e interiorização dos objectivos subjacentes.
Neste âmbito, as crianças foram ainda envolvidas na execução de peças de teatro, uma das quais apresentada durante a Colónia de Férias de Verão, e a outra no Natal. O resultado não poderia ter sido mais positivo, com um elevado índice de participação de todas as crianças e um reconhecimento do trabalho de organização e criatividade envolvido em todo o processo de criação.
Foi dado início à iniciativa “Assembleia das Crianças” durante o mês de Julho, um espaço de reflexão para as crianças acerca das suas vivências e experiências na Casa das Cores. Na sequência deste momento de reflexão, as crianças eram convidadas a registar os acontecimentos mais significativos num quadro, visível e acessível a todos.
Actividades lúdicas, pedagógicas, culturais e desportivas
Para além dos momentos informais que procuramos promover de brincadeira e actividades livres dentro e fora do espaço físico da Casa das Cores, as crianças participaram em várias iniciativas que passamos a descrever:
Colónias de Férias
Foram efectuadas duas colónias de férias pela Casa das Cores:
De 03 a 17 de Agosto, em Janas, Sintra – Organizada pela Casa das Cores e auxiliada por voluntários do MSV - Movimento ao Serviço da Vida
De 19 a 23 de Agosto, em Portalegre – Organizada em parceria com a Associação PAR, que disponibilizou os monitores que acompanharam as crianças.
Duas crianças tiveram ainda oportunidade de participar nas Colónias de Férias da Associação CAMTIL, tendo a primeira sido realizada entre os dias 23 e 30 de Julho e a segunda entre os dias 19 e 28 de Agosto.
Objectivo Específico 1.5.
Providenciar a reabilitação Física e/ou Psicológica das crianças vítimas de qualquer forma de mau-trato;
Este objectivo está associado em parte ao que já referimos para área da saúde.
A partir do diagnóstico inicial e da consulta prévia que todas as crianças realizam aquando do acolhimento, são providenciados todos os meios para que possam ter o acompanhamento adequado nas áreas mais fragilizadas do seu desenvolvimento.
Para além do já referido em termos que acompanhamento externo na área da saúde, reforçamos a intervenção de âmbito psicológico realizada pela psicóloga da Casa das Cores a cada criança individualmente, totalizando 80 sessões de acompanhamento.
Gostaríamos também de realçar a intervenção efectuada pela Equipa Educativa, cuja formação de base tem ajudado a enquadrar a forma como desempenham as suas funções, que resultam de uma forma realmente terapêutica nas crianças.
Objectivo Específico 1.6.
Possibilitar o contacto com a família de origem, sempre que isso seja possível, com vista à manutenção ou reestruturação dos laços e à reintegração da criança;
Todas as crianças acolhidas na Casa das Cores tiveram até ao momento contacto com a família de origem.
Em todos os casos, foi definido com as famílias um plano de visitas na instituição, sendo que em algumas crianças a situação acabou naturalmente por evoluir para passeios com a família fora da Casa das Cores e, em alguns casos, o prolongamento do contacto em fins-de-semana e férias.
Ainda durante 2009, tivemos necessidade de implementar um Programa de Famílias Amigas, já que apesar de algumas crianças terem contacto com as suas famílias de origem, nem sempre ser possível avançar com estadias mais prolongadas em domicílio familiar.
Quando se considera que a família de origem não reúne as condições de bem-estar para as crianças, estando afastada a hipótese do projecto de vida ser a reintegração familiar; ou quando o projecto de vida não está definido, por ainda estarmos a reunir a informação familiar que nos possa dar garantia da sua capacidade de proteger a criança; as “famílias amigas” ajudam a introduzir uma nova experiência familiar na vida destas crianças que achamos extremamente positiva.
Assim, nas férias do Natal, recorremos a uma família amiga para apoiar uma das fratrias da Casa das Cores. A experiência decorreu de forma positiva e gratificante para as crianças.
Ao longo do próximo ano prevemos seleccionar mais famílias amigas e realizar uma formação que permita o seu melhor enquadramento relativamente às crianças em situação de acolhimento.
OBJECTIVO GERAL 2.
Intervir junto das famílias com vista à sua reestruturação e reorganização, para a melhoria no desempenho das suas funções parentais.
Objectivo Específico 2.1: Desenvolver trabalho de mediação e reestruturação dos laços familiares;
Objectivo Específico 2.2: Capacitar as famílias, para uma maior eficácia no desempenho das suas funções parentais;
Objectivo Específico 2.3: Acompanhar as situações familiares que necessitem de intervenção específica, dando a conhecer os recursos existentes ou encaminhando para instituições de reabilitação adequadas a cada problemática;
A negligência grave foi a causa principal que motivou o acolhimento das crianças na Casa das Cores, durante o ano passado.
Entre as seis famílias acompanhadas, foram identificadas as seguintes problemáticas:
De forma a explorar a história familiar, a delinear e a implementar um plano de intervenção familiar, foram realizadas as seguintes diligências:
Reuniões com famílias: 63
Visitas Domiciliárias: 20
Tendo em consideração que o acompanhamento da medida de acolhimento institucional é sempre efectuada pela Casa das Cores em articulação com as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco e as Equipas de Crianças e Jovens, que dão apoio ao Tribunal, procuramos manter um contacto estreito com as equipas responsáveis pelos processos, tendo sido efectuadas 20 reuniões até 31 de Dezembro.
Foram realizadas 13 Informações Sociais/Relatórios de acompanhamento da Medida de Promoção e Protecção.
Surpreendentemente, a equipa técnica apenas foi convocada para comparecer em Tribunal 4 vezes, sendo que 3 estão relacionadas com o mesmo processo. Na situação da criança reintegrada na família, nunca nos foi solicitada audição.
Várias têm sido as dificuldades sentidas pela equipa técnica relativamente à definição dos projectos de vida:












