
O que é?
A Casa das Cores é um Centro de Acolhimento Temporário para crianças em perigo, vítimas de maus-tratos e/ou negligência.
Promovida pelo MSV – Movimento ao Serviço da Vida, a Casa das Cores tem como objectivos:
- Acolher 12 crianças em risco dos 3 aos 12 anos, de ambos os sexos
- Construir um projecto de vida viável para cada uma;
- Intervir junto das suas famílias capacitando-as para o desempenho das funções parentais.
Na Casa das Cores procuramos que as crianças se sintam num ambiente o mais próximo possível da estrutura familiar, num espaço seu, onde cada uma delas possa crescer como criança. Como tal, foram criadas uma série de condições do ponto de vista humano e material que procuram responder a todas as suas necessidades.
Complementarmente desenvolvemos dois tipos de intervenção: Individual, com cada criança, e Familiar.
A História
Em 2000...
A história da Casa das Cores teve início no ano 2000, quando o MSV - Movimento ao Serviço da Vida - foi confrontado com a realidade de muitas crianças vítimas de abandono, violência, abusos sexuais e negligência, reveladoras da escassez de estruturas adequadas para dar uma resposta positiva a estas situações.
Desde então...
A nossa instituição tem vindo a lutar pela implementação de um centro que possibilite uma intervenção eficaz e inovadora neste drama social tão frequentemente badalado que são as crianças em perigo.
Durante vários anos...
O MSV debateu-se com a dificuldade de criar um projecto a partir do zero, constatando que muito poucas entidades, estatais ou particulares, mostram disponibilidade para apoiar projectos que, apesar de bem estruturados e fundamentados, estão apenas no papel e nas boas intenções de quem os sonha.
Só em 2005...
Com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, é que o MSV conseguiu definitivamente o edifício para albergar o Centro de Acolhimento Temporário que estava a criar. No entanto, este encontrava-se em avançado estado de degradação e precisava de sofrer uma profunda intervenção de raíz que possibilitasse a sua recuperação e adaptação ao acolhimento de crianças.
O MSV começou então a reunir um conjunto de parceiros à volta deste desafio. O canal RFM da Renascença começou por desenvolver uma campanha de Natal a favor desta causa, a ela juntou-se a Fundação Calouste Gulbenkian, o gabinete de arquitectura Saraiva & Associados e um conjunto de outros pequenos apoios.
Finalmente em 2007
O MSV começou a desenvolver uma relação de parceria com a Swatch que desembocaria no Projecto Swatch Mundo Perfeito. Este foi o elemento chave para que as obras pudessem avançar definitivamente. Fruto do trabalho que o MSV e a Swatch desenvolveram desde então, a Casa das Cores começou a tornar-se uma realidade.
Depois, em 2008
No dia 20 de Novembro este novo Centro de Acolhimento Temporário foi inaugurado num evento promovido pelo projecto Swatch Mundo Perfeito. Entre muitas figuras de relevo, destacaram-se a presença da Madrinha Honorária da Casa das Cores, a Doutora Maria Cavaco Silva, e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. António Costa.
Até que em 2009
No dia 4 de Maio a Casa das Cores entra em funcionamento e a partir do dia 11 as crianças começam a chegar. Dez dias depois a capacidade da casa está lotada. Foram 9 anos de muito trabalho, com muitas expectativas e decepções, que ficaram plenamente justificados quando as primeiras crianças entraram pela porta desta sua nova casa. Aí sim, a Casa das Cores iniciou a sua verdadeira missão.
A Admissão
A admissão de crianças na Casa das Cores rege-se por uma série de critérios:
- Que tenha sido aplicada uma Medida de Acolhimento em Instituição (da competência exclusiva das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens e Tribunais);
- Idades compreendidas entre os 3 os 12 anos;
- A existência de vagas disponíveis face à capacidade da casa.
No sentido de ser mantido o contacto da criança com a sua família de origem, quando há perspectivas de retorno ao meio familiar, assim como para facilitar a intervenção a desenvolver com a família, a Casa das Cores prioriza os casos de crianças oriundas de zonas geograficamente próximas do CAT. Nesse sentido, é também dada prioridade a crianças com algum vinculo familiar, nuclear ou alargado. A urgência de protecção, existência de fratrias ou de irmãos já admitidos no CAT são igualmente condições prioritárias.
A Intervenção com as Crianças
A Casa das Cores procura, através de um intervenção individualizada e enquadrada numa abordagem multidisciplinar, promover o desenvolvimento global e harmonioso de cada criança com vista à sua integração social, por um lado, e à reintegração familiar, por outro.
Para além da satisfação das necessidades básicas de cada criança e do acompanhamento das suas rotinas, procuramos também estabelecer uma relação efectiva e afectiva que permita o crescimento harmonioso de cada criança, a sua formação e valorização pessoal e social.
Para ajudar cada criança a crescer como criança, com confiança nela própria, procuramos proporcionar-lhes vivências coerentes e consistentes, transmitindo-lhes referências, nomeadamente de optimismo, empowerment, valorização pessoal e responsabilidade, num contexto protector e promotor do bem-estar que permita a cada criança, o (r)estabelecimento da sua auto-estima, afectada pela vivência de situações destrutivas e conflituosas.
Realizamos um acompanhamento pedagógico, considerando quatro linhas orientadoras fundamentais:
- Abertura à comunidade exterior, contactos com pessoas variadas, de outras idades e com situações de vida diferentes, porque acreditamos que quanto mais estreitos forem com o mundo exterior, mais esbatidos são os efeitos negativos da Institucionalização;
- Relação de proximidade com as familias de origem ou com outras pessoas com quem tenham laços de afectividade porque consideramos extremamente importante para o equilibrio emocional das crianças manter o contacto (sempre que tal não se revele prejudicial):
- Adequação da intervenção às características de cada criança/jovem e família, considerando o seu percurso de vida, os seus recursos pessoais, a sua rede de apoio, a sua situação passada e actual, assim como objectivos e interesses de futuro;
- Promoção da autonomia e da responsabilidade sobre o seu percurso pessoal.
A Intervenção com as Famílias
A Casa das Cores considera que a proximidade e o trabalho com as famílias é essencial para que se possa assegurar o retorno das crianças ao meio natural de vida.
Desenvolvemos junto das famílias um trabalho que procura ir ao encontro das necessidades e pontencialidades de cada uma delas, através de uma intervenção que actua ao nível da estrutura e dinâmica familiar: relação entre os seus membros, papel de cada um na família, comunicação, vida afectiva e emocional, interacções intra-familiares e com o exterior.
O trabalho desenvolvido com a família é simultaneamente de diagnóstico e intervenção, de modo a que no mais curto espaço de tempo possível consigamos reunir os dados necessários para enquadrar o projecto de vida das crianças/jovens acolhidos na Casa das Cores, tendo sempre como base o seu superior interesse.
A Equipa
A Equipa de Trabalho da Casa das Cores foi seleccionada tendo em conta critérios de competência nas áreas específicas, assim como competências básicas essenciais no relacionamento com crianças que vivenciaram situações de vida traumáticas e/ou destruturantes.
Considerando as áreas essenciais para um funcionamento eficaz e eficiente, o grupo de trabalho da Casa das Cores inclui uma Equipa Tecnica, uma Equipa Educativa e uma Equipa Auxiliar, supervisionadas por um Director Tecnico.
- Equipa Tecnica
Constituida por tecnicos da área do Serviço Social e Psicologia; - Equipa Educativa
Constituida por Educadores e Ajudantes de Acção Directa; - Equipa Auxiliar
Compreende pessoal de cozinha, limpeza e responsável de lavandaria.
Ocasionalmente, um supervisor externo da área jurídica reunirá com a equipa técnica, apoiando na reflexão acerca da intervenção a desenvolver nesse âmbito.

